Vectra GT. Esportivo, hatch médio premium ou mais um?
A Chevrolet apresentou, no começo deste mês, seu novo hatch médio fabricado no Brasil. O modelo nada mais é que o Astra Europeu tropicalizado, batizado de “Vectra GT”, uma alusão à versão dois-volumes do sedan, que é “simplesmente” a carroceria três-volumes do Astra comercializado no velho continente. Salada, não? Se continuar nesse ritmo, as novas gerações de Meriva e Corsa se chamarão, respectivamente, Zafira e Astra.
Falando da novidade nacional, no aspecto visual, ele é indiscutivelmente belo. Tem estilo próprio, linhas traseiras muito bem desenhadas e apelo esportivo estético fora do já visto na categoria. Porém, a dianteira nacional, diferente daquela do Astra europeu, deixou o modelo com aspecto de “remendado” (pra quem conhece o outro modelo, claro). No mais, no estilo, ele é muito bom.
Porém, a Chevrolet divulgou que o modelo é um hatch premium, concorrente de modelos como 307 2.0 e Golf 2.0. Assim, a marca define o Vectra GT como “único bicombustível da categoria”, rejeitando as outras motorizações dos rivais. Pelo que se sabe, a marca escolheu a sigla “GT” (ou GT-X, dependendo da versão) para diferenciá-lo do sedan, numa alusão à versão esportiva.
O problema do Vectra GT, neste caso, é a falta de motor pra isso. Um esportivo que tem um ultrapassado 2,0 litros de 121 cv (gasolina)? A GM promete melhorias nos propulsores para até 2009, mas, até o momento, o Vectra GT continua a ser um modelo apenas esteticamente esportivo, visto que Astra, Zafira e Vectra usam exatamente o mesmo motor, sem qualquer diferença.
Outro ponto que deixa os consumidores com pé atrás é a falta de um motor mais potente. Há o 2,4 litros de 150 cv, que é oferecido na S10 e no Vectra, mas que não está disponível no GT. Aliás, no Astra GSi comercializado na Argentina, está disponível este motor. Será que somos clientes tão indignos, mas que têm um mercado 6 vezes maior, que não podemos ter esta opção?
Outro ponto contra o GT é o preço. A partir de R$ 60 mil, o modelo traz air-bag duplo, direção hidráulica, faróis com máscara negra, lâmpadas “Blue Vision” frontais, trio elétrico e ar-condicionado digital. Sentiu falta do freio com ABS? É um opcional, nas duas versões. Não esqueci que o modelo traz GPS de série, mas também me recordo que ele vai preso no pára-brisas por uma ventosa, como uma espécie de adaptação. Custava integrá-lo ao painel, como feito nos modelos europeus? Complicado…
No que diz respeito à esportividade, desempenhos fracos são o resultado de um motor antigo. O 2.0 de 121/128 cv (gasolina e álcool, respectivamente) não mostra números de um veículo esportivo. A velocidade máxima anunciada pela marca é de 186/189 km/h, perto dos 182 km/h obtidos pela revista Quatro Rodas. Na aceleração 0-100 km/h, ele leva 11 segundos, 7 décimos mais lento que o irmão Astra.
Além de (relativamente) pouco andar, o 2,0 litros bebe além do esperado. Com álcool, ele faz 5,6 km/l na cidade e 8,7 km/l na estrada. A autonomia simulada beira a 452,4 km com o tanque de 52 litros disponibilizado pra o veículo. É clara a necessidade de um motor mais moderno, algo que a GM sanará dentro de três anos. Esta também a duração da garantia oferecida pela marca, ponto positivo para o Vectra GT.
Fianlizando: apesar de ser dado como esportivo, o Vectra GT não é um rival declarado de Golf GTI e Civic Si, tendo números razoáveis perto dos reais concorrentes. A velocidade máxima, apesar de não ser tudo o que a imagem do carro passa, é condizente com o uso que será exigido (fora dos limites da lei, vale ressaltar). No quesito equipamentos, o Vectra GT não é destaque. É mais pelado que o 307, pouca coisa mais barato e brigam forte no estilo. Vale uma olhada no Peugeot. No final das contas, o Vectra GT é um bom carro, mas caro pelo que oferece. Vale pra quem tem dinheiro de sobra e quer um carro recém-lançado na garagem.








14/10/2008 às 16:51 |
Muito boa a materia.Eu gostaria que ele fosse comparado com outro carro
13/12/2008 às 10:44 |
in the civilized world, that car is called opel astra