[ESPECIAL] Downsizing em xeque: motores voltarão a crescer


Fiat 0.9 MultiAirFiat 0.9 MultiAir: dias contados?

O downsizing (termo que pode ser traduzido como “encolhimento”) dos motores parecia um caminho inevitável em favor da redução de consumo e emissões. Parecia. Novas pesquisas apontam que propulsores de menor deslocamento podem poluir tanto quanto ou até mais que os maiores. Os estudos, aliados ao novo plano de emissões europeu previsto para 2019, revelam uma nova tendência: o crescimento dos motores.

Inicialmente, o downsizing era a solução ideal para que as montadoras alcançassem as rigorosas leis de emissões de mercados como Japão, Europa e Estados Unidos. Parecia óbvio: reduzir o atrito, diminuir o volume de cilindros e garantir potência superior com tecnologias como turbocompressor. Lá fora, essa é uma realidade na última década, que chegou ao ápice no Brasil com modelos como Golf 1.0 TSI e New Fiesta 1.0 EcoBoost.

Volkswagen Golf TSI 2107 ComfortlineGolf 1.0 TSI, recém-chegado ao Brasil

No entanto, o escândalo do Dieselgate, que revelou que os motores a diesel da Volkswagen dispunham de um software que alterava seu comportamento em laboratórios. Ou seja: eles apenas cumpriam as normas quando submetidos a testes, mostrando-se fora dos padrões quando colocados para rodar normalmente. A Europa, então, decidiu colocar em prática o plano Euro 6C, que prevê ensaios em bancadas e também nas ruas e rodovias, valendo a partir de 2019.

Ford EcoBoost 1.0Ford 1.0 EcoBoost

Nos primeiros testes piloto, o que se viu foi assustador. Além de não respeitar as regras de emissões de dióxido de carbono (CO2), muitos motores também extrapolaram o máximo permitido para óxidos de nitrogênio (NOx), monóxido de carbono (CO) e material particulado (MP) mesmo naqueles movidos a gasolina. Segundo a agência Reuters, há inclusive propulsores que lançaram hidrocarbonetos (HC) não queimados, como o 0.9 Turbo da Renault. Ele injeta mais gasolina do que o ideal, na mistura com razão estequiométrica ideal, para evitar superaquecimento, emitindo os HC que causam doenças respiratórias.

Renault Twingo 2015 - 01Renault Twingo 0.9

A MUDANÇA É O RIGHTSIZING

Anteriormente, acreditava-se que a redução do tamanho dos motores seria o mais sensato. Além da Renault com seu 0.9 de três cilindros, outras empresas apostam em propulsores assim, como a Fiat com seu 0.9 (875 cm³) de dois cilindros. À Reuters, o chefe de engenharia motriz da Renault-Nissan, Alain Raposo, disse que o downsizing está “chegando no limite”, não permitindo mais atender às legislações com a cilindrada atual.

Mazda 3 2017 - 01Mazda: a dona do motor rotativo estava certa

Deste modo, acredita-se que o caminho seja seguir o que algumas marcas já apresentaram, como a Mazda. A japonesa afirma que o correto é o rightsizing, algo como “tamanho ideal”. Ou seja: motores pequenos podem continuar em uso, mas em carros pequenos. Modelos médios devem utilizar propulsores um pouco maiores, compatíveis com seu peso.

O rightsizing, agora, parece até óbvio – e é algo que sempre se pensou ao comparar motores em um mesmo veículo: um propulsor pequeno precisa fazer mais esforço que um maior para gerar a mesma energia, em condições iguais de rodagem, clima, altitude, pressão. Ou seja, em uma subida íngreme, um 1.6 gira menos que um 1.0 para entregar a mesma força. Por isso, mesmo com o downsizing, há propulsores maiores que, em determinadas situações, serão mais eficientes que os menores.

Vauxhall 1.4 Turbo

Aparentemente, as montadoras já entenderam o recado. Novamente segundo a Reuters, já há revisão em planos, compreendendo que motores a diesel ficam verdadeiramente eficientes com pelo menos 1,5 litro de deslocamento, enquanto os a gasolina precisam de ao menos 1,2 litro – seria o fim dos nossos 1.0, em longo prazo?. A General Motors, por exemplo, continuará com um 1.2 a diesel somente até 2019, quando entra em vigor o Euro 6C, substituindo-o por um similar com cilindrada de 1.4 a 1.6. O mesmo caminho será seguido por Volkswagen e Renault.

Pelo jeito, o downsizing não vai desaparecer de vez, mas será substituído indiretamente pelo rightsizing da Mazda.

Anúncios

3 comentários sobre “[ESPECIAL] Downsizing em xeque: motores voltarão a crescer

E VOCÊ, O QUE ACHOU DESTA NOTÍCIA?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s