PSA Peugeot Citroën negocia compra da Opel com a General Motors


opel-crossland-x-01Opel Crossland é fruto de parceria da dupla, feito sobre a plataforma PSA FP1

Após idas e vindas de uma relação estremecida, General Motors e PSA Peugeot Citroën voltam a negociar acordos. E o assunto é bastante delicado e polêmico: a venda da alemã Opel, sob controle americano desde 1925, para os franceses. As partes estariam negociando os termos, com um desfecho a ser anunciado nos próximos dias, segundo a agência Reuters. Extraoficialmente, fala-se que as conversas ainda não são garantidas pelas partes – elas negam a possibilidade, aliás, desde 2013 (leia aqui).

Será que sai negócio? O ALL THE CARS analisa a situação.

A negociação tem vários pontos-chave e traz muitos questionamentos. Por parte da GM, o negócio é uma faca de dois gumes. No lado econômico, a divisão europeia é um poço sem fundo: a última vez que rendeu lucros foi em 1999. Assolada pela crise em 2009, quando abriu concordata, a gigante americana quase vendeu Opel e Vauxhall em três oportunidades, negociando com a chinesa Baic (Beijing Auto) e um consórcio austro-russo das empresas Magna e Sberbank. De 1999 pra cá, a GM Europa contabiliza prejuízo de US$ 15 bilhões.

No entanto, estrategicamente Opel e Vauxhall são interessantes. Primeiro, porque são hoje suas únicas representantes no Velho Continente no segmento generalista, haja vista que a Chevrolet já não opera mais na região. Em termos tecnológicos, elas ganham ainda mais força. Muitos avanços foram desenvolvidos pela dupla e vários produtos saem de lá para outros mercados alterando seu logotipo. De quebra, elas têm vendas significativas, que mantêm a GM entre as líderes de vendas globais.

Pelos lados da PSA, também há uma linha tênue entre o otimismo e o pessimismo em relação a este negócio. A Opel poderia lhe render as tecnologias desenvolvidas, além de motores, plataformas e alguns produtos que possam ser aproveitados por suas outras companhias. Isso sem falar no potencial fabril e, claro, na soma de veículos emplacados anualmente. Com Citroën, DS e Peugeot, o conglomerado francês alcançaria 16% do mercado europeu, ficando atrás apenas da Volkswagen.

Mas há outras pontos a se considerar. A Opel possui alta capacidade produtiva, mas tem muitas fábricas ociosas, um problema já visto na PSA. Os franceses também estavam com as contas no vermelho até o ano passado, recuperando-se gradativamente. Com a alemã rendendo prejuízos há quase 20 anos, seria necessária outra pesada reestruturação. De quebra, haveria uma briga interna ainda maior. Citroën e Peugeot já sofrem com a canibalização por disputarem o mesmo cliente e a Opel acabaria sendo uma terceira postulante direta. O “fogo amigo” atingiria inclusive a DS.

Por fim, há que se considerar o impacto nas operações entre GM e PSA. A dupla firmou um acordo em 2012, com os americanos adquirindo 7% dos ativos dos franceses (leia aqui), ativos vendidos posteriormente com a formação de uma aliança dos europeus com a chinesa DongFeng (leia aqui). Na ocasião, ficou acertado o desenvolvimento conjunto de produtos, algo que pode ser dissolvido com a venda da Opel – qual o sentido para a General Motors em investir em um mercado onde já não atua mais?

Considerando-se o panorama acima, o melhor para as duas partes, aparentemente, é deixar tudo como está. Mas, pelo jeito, não bem isso o que PSA e GM querem.
[ Fonte: Reuters ]
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