Challenger Demon faz jus ao nome: 851 cv, 106,2 kgfm de torque e 0-96 km/h em 2,3 s


Foram semanas de dados a conta-gotas, imagens misteriosas e muita expectativa. Mas a Dodge enfim apresenta o resultado do seu projeto de criar o muscle car mais insano já visto. Com o sugestivo nome Demon, o Challenger oferece uma série especial que dispõe de 851 cv e torque de 106,2 kgfm, garantindo números impressionantes. Um deles é a aceleração de zero a 96 km/h, cumprida em 2,3 segundos. Ficou curioso? Embarque com a gente para saber todos os detalhes desde cupê endiabrado.

Começamos pela motorização. O propulsor é o 6.2 V8 Hemi, o mesmo de 717 cv do Hellcat, mas retrabalhado para entregar a energia extra, ampliando inclusive a faixa máxima de 6.200 para 6.500 rpm. O bloco foi usinado e reforçado e foram aplicados novos pistões, bielas, comandos, válvulas e injeção, mantendo os cabeçotes. A Dodge fala em 25% dos componentes diferentes, ainda com a adoção de uma bomba de combustível extra – sim, são duas – e um supercharger que desloca 2,7 litros a cada volta dos rotores (contra 2,4 l do Hellcat).

Outro ponto que recebeu bastante dedicação da engenharia da Dodge SRT foi o sistema de admissão, que conta com três fontes de ar. Ele vem da abertura no farol esquerdo, de tomadas junto às caixas de roda e da entrada no capô, chamada Air-Grabber, com seus 293 cm² de abertura, a maior já adotada em um carro de produção. A empresa fala na passagem de 32 mil litros de ar por minuto, que é refrigerado também pelo gás do ar condicionado, direcionado diretamente ao reservatório do fluido do intercooler. A cada arranque, o sistema entra em ação junto da ventoinha, inibindo a perda de força por superaquecimento. Assim, garantem-se os 851 cv e 106,2 kgfm com gasolina especial e partida com a chave vermelha. A premium permite 808 cv e 98,9 kgfm.

Mas o motor não trabalha sozinho para fazer o milagre. A transmissao TorqueFlite, de oito velocidades, possui uma função de bloqueio, chamada TransBrake, que mantém o carro sem receber a energia do V8 em rotações de até 2.350 rpm. A caixa é destravada pelas aletas atrás do volante, colocando a energia nas rodas, o que melhora o tempo de reação em até 30%. Para suportar toda essa força, a Dodge aplicou alumínio de alta resistência em semi-árvores e carcaça do diferencial e o cardã ficou mais espesso, ampliando a rigidez em 30%, 20% e 15%, respectivamente.

A eletrônica contribui para o rendimento. O controle de tração tem configuração para específica para reduzir o torque nas arrancadas para evitar picos que possam danificar os componentes mecânicos, em situação típica de quando os pneus perdem e recuperam o contato com o solo. Já o auxílio de largada (Launch Control) tem o acionamento de discos dianteiros, permitindo burnout para aquecer os pneus traseiros antes do arranque, enquanto a reserva de torque enche o compressor antes da partida, alterando o ponto de ignição se necessário. Isso pode ampliar o torque em até 120%.

MOTOR, CÂMBIO E O QUE MAIS?

O Hemi e a transmissão – e tudo o que explicamos acima – não são as únicas armas do Demon. Ele se apoia em outros componentes de respeito. A começar pela suspensão, que sustenta o cupê com amortecedores adaptativos Bilstein. Preparados para arrancada, eles têm calibragem acertada para transferir o peso à traseira, forçando os pneus daquele eixo, o que aumenta a aderência em até 11%. No modo de condução Drag (ou seja, para alinhar em arrancada, os frontais ficam mais firmes na compressão e macios no retorno, melhorando a dinâmica. Além disso, as barras estabilizadoras ficaram mais flexíveis (75% na frente, 44% atrás) e as molas receberam 35% menos carga na dianteira, com 28% mais maciez na traseira.

As rodas de 18×11 polegadas calçam pneus de arrancada regularizados para as vias públicas, os Drag Radials, tornando o Demon o primeiro carro de produção a oferecê-los de fábrica. Eles são fornecidos pela Nitto e possuem medidas 315/40. Ele tem composição específica para forçar as laterais a acumular energia e lançar o veículo para a frente.

BANIDO E RECORDISTA

Com todo esse conjunto, o Demon tem números que fazem jus ao batismo. Ele acelera de zero a 48 km/h em um segundo, de zero a 96 km/h em 2,3 segundos e completa o quarto de milha (402 metros) em 9,9s a 205 km/h. Coloque as rodas mais finas opcionais (falaremos disso ainda abaixo) e o tempo cai para 9,65 s a 225 km/h. O desempenho é aferido pela NHRA, principal entidade de arrancadas dos EUA. Ela própria, inclusive, baniu o Demon de suas competições. Por baixar o tempo de 10 segundos, o cupê precisa de um rollcage (gaiola, na verdade) homologado pelo SFI, órgão de equipamentos de segurança de veículos de corrida no Tio Sam.

Mas este não é seu único feito. O Challenger Demon também recebeu certificação do Guinness. Com sua arrancada que gera aceleração longitudinal de 1,8 g – o Nissan GT-R, uma das referência nesse sentido, gera 1,1 g -, o muscle car eleva as rodas dianteiras durante os primeiros 89 centímetros de percurso. Não havia, até agora, registro de um carro de produção em série capaz de levantar os pneus frontais em uma arrancada.

VISUAL E OPCIONAIS

Após toda essa explanação, atentamo-nos a algo não menos relevante: a estética e os equipamentos do Demon. A parte visual destaca itens que também o ajudam a garantir o bom desempenho, como a grande tomada de ar do capô, as caixas de roda alargadas e o spoiler na tampa do porta-malas. Mas também é importante frisar as rodas escuras e o capetinha que simboliza a edição. Capô e teto podem ser pintados de preto, enquanto a carroceria oferece 14 tons: o TorRed das fotos e também B5 Blue, Billet Silver, Destroyer Grey, F8 Green, Go Mango, Granite Crystal, Indigo Blue, Maximum Steel, Octane Red, Pitch Black, Plum Crazy, White Knuckle e Yellow Jacket.

O comprador da série terá ainda alguns opcionais, como teto solar, aparelho de som Harman Kardon com 19 alto-falantes e dois subwoofers e banco individual (ou dois dianteiros, como de praxe). O detalhe mais bacana é a caixa Demon Crate. Só com ela é possível dispor de toda a força, pois junto vem o módulo de controle já preparado para o alto desempenho, o botão no console para acioná-lo e os pneus extras, mais finos, para menor perda por atrito. Ela inclui um manual técnico, um filtro de ar mais agressivo, um conjunto de ferramentas (torquímetro, macaco hidráulico, medidor de pressão dos pneus e parafusadeira sem fio), além de uma placa personalizada, de fibra de carbono, com o número de série do veículo e o nome do proprietário.

Gostou? Então corra: a Dodge afirma que serão produzidas somente 3.300 unidades, 300 delas destinadas ao Canadá e o restante para o público dos Estados Unidos.

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