[ESPECIAL] Argo Certo: A importância do novo hatch para o futuro da Fiat no Brasil


A Fiat fez dois importantes lançamentos recentes no Brasil, que, não por acaso, estão entre seus três produtos mais vendidos. A picape Toro explora um segmento que poucos enxergavam em nosso mercado (leia aqui) e o pequeno Mobi foi a solução encontrada para para atuar entre os urbanos (leia aqui), também carentes de opções. No entanto, nenhum dos dois seria tão crucial para a italiana em nosso País quanto o Argo. O próximo hatch da empresa, criado especialmente para cá, é determinante para o futuro das operações da Fiat em solo tupiniquim.

(DES)CONSTRUINDO UMA BASE

Voltando um pouco no tempo, retornamos a 2012, ano em que o Brasil registrou seu recorde histórico de vendas com 3,63 milhões de emplacamentos (leia aqui) – em 2016, foram 1,99 milhão (leia aqui). Na ocasião, a Fiat liderava o mercado, tendo negociado 838.160 unidades, garantindo 23,06% de participação. Sua gama não era a mais moderna, mas atendia bem às necessidades do público local. A filial brasileira lucrava significativamente, remetendo recursos à “doente” matriz, que se reestruturava e ainda bancava a compra da Chrysler.

Com o capital usado para manter alguns projetos, como a fábrica de Goiana (PE), a nacionalização de produtos Jeep e a criação de produtos quase completamente novos como a Toro, a Fiat criava uma base para se manter no topo. No entanto, havia a necessidade de apoiar a matriz em tempos difíceis. E assim a linha nacional foi envelhecendo e perdendo competitividade. Não por acaso, nos últimos meses a empresa interrompeu a produção de veteranos como Idea, Linea, Bravo e Doblò Cargo, além do Ducato.

Há cinco anos, com a liderança e as vendas aquecidas, a fábrica de Betim (MG), até então única da Fiat no Brasil, era a maior do conglomerado em todo o mundo em capacidade e terceira no geral. Quando se falava em linhas de veículos, ela batia todas as plantas globais, independentemente da companhia. Hoje, ela opera com menos de 40% da capacidade e não somente por conta da queda interna: a gama envelhecida perdeu a procura e a descontinuação de alguns modelos derrubou as atividades.

DIFICULDADES DE ADAPTAÇÃO

Pior do que ter uma gama envelhecida, para a Fiat, era não ter onde buscar soluções. Muito peculiar, o mercado asiático oferecia opções pouco atraentes, como o Punto Evo indiano (leia aqui) ou o Viaggio chinês (leia aqui) e seu irmão Ottimo (leia aqui). O design um tanto exótico do primeiro e os custos de adaptação dos demais pesavam contra.

Na Europa, a Fiat depende muito da linha 500, que tem mais carisma por lá devido à importância histórica do compacto no período pós-guerra. A minivan 500L e o crossover 500X não têm muito do que atrai o brasileiro – o próprio 500 tem sofrido aqui – para substituir o Idea ou dar vida a um produto de segmento inédito para a marca no País. O Punto de lá é ligeiramente diferente (leia aqui), mas tampouco revolucionaria a presença de um hatch já cansado. Já o Panda é o “primo rico” do Uno (leia aqui) e tem porte compacto demais para alçar voos mais altos.

O caminho a ser seguido? Soluções caseiras.

CRIAÇÕES ESPECÍFICAS

Goste-se ou não, uma das especialidades da subsidiária local da Fiat foi criar produtos específicos para Brasil e região. Enquanto a Europa recebia a primeira geração do Punto em 1993, três anos depois, por aqui, estreava o Palio. Ambos nasciam com a missão de substituir o Uno – já sabemos que não foi bem isso que ocorreu em solo tupiniquim. Mas é fato que ali surgia um dos produtos de maior sucesso da história da empresa. Pode-se dizer o mesmo de outras criações locais de boa aceitação, como as derivações do Palio ou mesmo a geração exclusiva do Uno e seu irmão mais novo Mobi.

O X6H é a nova incursão da Fiat no segmento de hatches. Com o batismo Argo definido – ainda que pareça ser um nome provisório -, ele se torna um símbolo da autonomia que a subsidiária local sempre teve. Assim fora com as duas gerações do Palio, a segunda linhagem do Uno, o Mobi, a Toro, o renovado Fiorino e a reestilização do Idea, por exemplo. Assim será com o novo compacto.

OU VAI, OU RACHA

O fato é que o Argo é fator determinante para o futuro da Fiat no Brasil. Ele brigará no segmento de maior volume de vendas tradicionalmente no País, enfrentando produtos bem-sucedidos. Com uma gama ampla – em termos de motorizações e versões, pelo que conhecemos nos rumores -, ele disputará espaço com “gente grande”. E falamos de líderes como Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Ford Ka, Renault Sandero e Volkswagen Gol, entre outros.

A receita do Argo tem tudo pra fazer sucesso, aliás. Em sua categoria, os mais vendidos são, em geral, aqueles pensados ou desenvolvidos para cá. Os cinco inimigos citados acima foram criados aqui ou projetados em conjunto com outras divisões globais de suas montadoras. Onix, HB20 e Gol são apenas produzidos no Brasil, enquanto Sandero e Ka tiveram grande parcela de sua concepção criada pelas subsidiárias tupiniquins.

Além do projeto feito aqui e pensado para cá, o Argo deve atender aos anseios que o mercado já tem e consolidou. Ser um hatch compacto de medidas generosas é algo que fez com que o brasileiro perdesse o preconceito e desse espaço a um Renault popular, como o Sandero. Ter acabamento razoável – para a faixa de preço – e boa oferta de itens, como central multimídia e câmbio automático -, tornou o Onix líder de emplacamentos, o primeiro Chevrolet desde o Monza em 1986. Também colocou um Hyundai na segunda colocação de vendas, com o pujante HB20, algo impensável há menos de uma década.

Unindo espaço interno amplo, acabamento razoável e bom nível de equipamentos, o Argo tem tudo para conquistar seu mercado. Adicione-se a isso a oferta de três motores (apesar de o 1.0 destoar, em um carro que aparenta ser pesado), outras três transmissões (manual, automatizada e automática) e a promessa de um design moderno, tem-se a receita de um hatch competitivo.

E ele precisará ser para manter a Fiat acesa no Brasil, ao lado de seu sedã, que chega em 2018.

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