[ESPECIAL] Onze marcas que desistiram de vez de atuar no Brasil


Retorno é especulado desde o lançamento do antigo Mazda2, em 2010

A nova negativa da Mazda em retornar ao Brasil, após anos e anos de rumores, trouxe uma curiosidade: quais marcas atuaram em nosso mercado e, após algum tempo, decidiram fazer as malas e ir embora? O ALL THE CARS buscou na história da indústria nacional os principais casos, tendo encontrado, inclusive, ocorrências de companhias que já estão no segundo e até no terceiro período de operação em solo tupiniquim. Confira abaixo quais são elas.

Mazda MX-3 era um dos carros favoritos dos jogadores de futebol

1 – MAZDA

Já que ela foi citada como exemplo, começaremos por ela. A japonesa Mazda aportou por aqui quando o Brasil reabriu seu mercado, no Governo Collor, após a famosa frase do então Presidente chamando os veículos locais de “carroças”. O desembarque aconteceu no fim de 1992, com a gama logo sendo composta pelos esportivos MX-3 e MX-5 Miata e os sedãs 626 e Protegè. Alguns fizeram sucesso com executivos e jogadores de futebol.

Mazda MX-5 também era desejado (Foto: NetCarShow.com)

No entanto, em 1996, a Ford, que já era dona de 25% da marca desde 1979, ampliou sua participação. Segundo os bastidores, a gigante americana, então, teria decidido por fechar a subsidiária local da Mazda, a fim de evitar a canibalização de vendas. O encerramento das operações aconteceu em novembro de 2000 e, desde então, a japonesa é alvo de rumores de um retorno. Eles ganharam força com a saída da Ford como acionista em 2010, inclusive com executivos admitindo interesse no pujante mercado brasileiro. No entanto, nada disso passou de especulação e a Mazda segue sem previsão de retorno ao País.

Seat Cordoba Vario é raridade atualmente (Foto: FavCars.com)

2 – SEAT

Com o desembarque de diversas novas marcas, a Volkswagen decidiu trazer ao Brasil os veículos da Seat. A chegada aconteceu em 1995, com modelos de porte compacto. No entanto, a empresa acabou enfrentando alguns problemas. O hatch Ibiza era considerado pequeno e caro demais, por vir da Espanha. O sedã Córdoba vinha da Argentina, porém também tinha pontos negativos: além de ser irmão gêmeo do Polo Classic, outro fracasso do mercado nacional, sofreu com críticas quanto à durabilidade. O mesmo ocorreu com sua perua, a Córdoba Vario, e o utilitário Inca, clone do Volkswagen Van, que tinha design semelhante ao do Fiat Fiorino.

Seat Inca

Para tentar atrair clientes, a alemã tomou uma medida que se tornou uma faca de dois gumes: os proprietários dos Seat poderiam fazer a manutenção dos veículos na rede VW. Se isso ampliava o alcance da marca espanhola, por outro lado deixava claro aos compradores que valia mais a pena investir em um Volkswagen, montadora de nome consolidado no mercado e que tinha praticamente o mesmo produto em seu showroom.

A Seat saiu de cena em 2002 sem deixar saudades.

Daihatsu Terios

3 – DAIHATSU

O caso da Daihatsu é parecido com o da Seat. Controlada pela Toyota, a marca especializada em subcompactos desembarcou por aqui em 1994 para ampliar a atuação do grupo. O jipinho Terios foi o precursor dos SUVs urbanos – e talvez o que mais tenha vendido da japonesa por aqui -, mas não deslanchou. O mesmo se pode dizer do hatch Cuore e do sedã Applause, este último uma raridade nas ruas tupiniquins.

A atuação da Daihatsu, porém, durou pouco. A crise econômica nos chamados tigres asiáticos, que fez a cotação do real despencar ante o dólar, deixou seus veículos muito caros. Em 1999, auge da retração das nações orientais, a marca encerrou suas operações por aqui.

Saab 9000

4 – SAAB

Se o Daihatsu Applause é raridade no Brasil, imagine um Saab. A marca, extinta após a concordata da General Motors em 2009, já estava sob comando norte-americano desde 1989. Com a abertura do mercado, a GM decidiu que era hora de apostar no desembarque da sueca por aqui. Para aferir a receptividade, importou um lote de 50 exemplares do sedã 9000, todos com motor 2.3 turbo e caixa automática. Fontes não-oficiais afirmam que somente 34 foram vendidos. A gigante de Detroit decidiu, então, encerrar as operações da Saab por aqui.

Alfa Romeo 145 (Foto: FlatOut Brasil)

5 – ALFA ROMEO

Tal qual a Mazda, corriqueiramente a Alfa Romeo tem sua volta especulada ao Brasil. Isso porque a marca tem história no País. Entre 1960 e 1986, a estatal FNM (Fábrica Nacional de Motores, a mesma que montava os caminhões conhecidos como Fenemê) usava a base de um veículo da italiana para produzir o 2000. A Fiat inclusive chegou a fabricá-lo em Betim (MG), mas decidiu descontinuá-lo devido às baixas vendas.

Alfa Romeo 156

Com a abertura do mercado, a Alfa decidiu se aventurar novamente no Brasil. Inicialmente, vieram o hatch 145 e os sedãs 155 e 164 e seus substitutos 147, 156 e 166. No entanto, aos poucos a empresa perdeu o encanto junto ao público e as vendas, que nunca foram um sucesso, minguaram de vez. Após muito adiar, a Fiat encerrou outra vez as operações da Alfa Romeo no Brasil em 2006 para nunca mais voltar.

Daewoo Espero: certamente o mais famoso modelo da marca (Foto: Quatro Rodas)

6 – DAEWOO

Entre todas, a Daewoo foi uma das que teve desempenho mais notável no Brasil. Aliada da GM, a coreana chegou por aqui em 1994 com os sedãs Super Saloon e Prince, que não foram grande sucesso. Seu destaque, porém, viria no ano seguinte com o Espero. Com vários componentes vindos do Chevrolet Vectra da primeira geração, ele encantou pelo design futurista assinado pelo estúdio Bertone. Não por acaso, chegou a estar entre os 10 importados mais vendidos do Brasil.

Tico vendido no Brasil não tinha para-choques “champanhe”

O sucesso do Espero deixou os coreanos otimistas. Pouco depois, a Daewoo começou a importar vários outros produtos, como os sedãs Leganza, Lanos (e sua variação hatchback) e Nubira (e sua derivação perua), além do compacto Tico. No entanto, ela também foi prejudicada pela crise asiática, que impulsionou a cotação do dólar. Encerrou suas operações no Brasil no fim de 1999.

Lada Niva (Foto: Quatro Rodas)

7 – LADA

Outra marca emblemática no Brasil, a Lada chegou por aqui logo que o mercado se abriu: a chegada aconteceu ainda em 1990, mesmo ano em que o recém-eleito Fernando Collor de Mello, Presidente da República, permitiu a retomada da importação de automóveis. A marca russa fez história com o hatch Samara, o sedã Laika e sua variação familiar e principalmente o jipe Niva.

Lada Laika

Os produtos da Lada vinham da Rússia sem qualquer tipo de nacionalização, o que incluía o teto forrado de penas para aquecer o habitáculo no inverno gelado do país de origem. E isso custou caro à fama e à durabilidade dos veículos. Não que faltasse valentia: fãs do Niva costumam cobri-lo de elogios. No entanto, os motores não tinham adaptação para consumir a gasolina brasileira, composta por etanol em quase um quarto na época. O álcool é mais agressivo e não demorava a mostrar seus efeitos dentro dos propulsores.

Além de sofrer com a má fama, a Lada teve de conviver com uma nova realidade: o aumento do imposto de importação para automóveis em 1995, prejudicando companhias sem fábrica local. No mesmo ano, a marca fechou as portas por aqui.

8 – MAHINDRA

A Mahindra desembarcou por aqui em 2008, exibindo sua gama no Salão de São Paulo. A marca confirmava a montagem do Scorpio SUV e da Pikup em parceria com a local Bramont, usando unidades em Pouso Alegre (MG) e Manaus (AM). A indiana estruturou uma rede de concessionários em todo o Brasil, apostando no crescimento das vendas dos comerciais leves. Mas os planos não vingaram.

Sem convencer o consumidor devido ao visual antiquado, a linha da Mahindra nunca passou dos 250 emplacamentos mensais. E vez ou outra recebia mudanças, inclusive no batismo. O Scorpio passou a se chamar SUV (leia aqui) e depois MOV (leia aqui). Em 2015, a Bramont confirmou o fim da aliança (leia aqui), encerrando as operações da indiana por aqui.

Geely EC7

9 – GEELY

Dentre as listadas, a marca com saída mais recente é a Geely. Seguindo outras companhias sediadas na China, como Chery e JAC, ela desembarcou por aqui com o sedã EC7 (leia aqui) e o compacto GC2 (leia aqui) em 2014, aproveitando que o primeiro era montado pela Nordex no Uruguai. Ambos, porém, se tornaram raridade nas ruas brasileiras.

Geely GC2

Ao longo de quase dois anos, a Geely contabilizou apenas 1.019 emplacamentos no Brasil, sem qualquer sinal de avanço. O IPI extra para importados também assustou, assim como a queda no consumo interno. Representada pelo Grupo Gandini, também parceiro da Kia, a chinesa anunciou sua saída em abril de 2016 (leia aqui), prometendo voltar, como aconteceu esse ano (leia aqui). No entanto, sem a aliada Nordex, que agora ocupa sua planta com utilitários de Peugeot e Citroën (leia aqui), fica difícil acreditar no retorno.

MG6

10 – MG

Após a falência da MG-Rover, a dupla inglesa trocou de mãos e acabou ficando sob os cuidados da chinesa Nanjing. A asiática, então, reestruturou as marcas, a fim de atuar entre generalistas (Rover, que passou a se chamar Roewe) e premium (MG) e despertou o interesse da brasileira Forest Trade, especializada na importação de carros de luxo.

MG550

Em 2011, a empresa abriu a primeira concessionária da MG no Brasil – e, até o momento, a única que se tem notícia. Foram trazidos o sedã MG550 e o fastback MG6 (leia aqui), ambos com propostas ousadas. A Forest Trade falava em brigar com Audi e BMW em pé de igualdade, mas o fato é que as vendas nunca decolaram. Encontrar um dos dois produtos nas ruas é um milagre. Não por acaso, a marca deixou o País em 2013 sem fazer alarde.

Linha Chana na apresentação (esq.) e pouco depois de lançada (dir.)

11 – CHANGAN (CHANA)

Primeira a chegar ao Brasil, a Changan ganhou notoriedade junto ao público – e não foi por um bom motivo. Por um erro crasso de estratégia, a marca desembarcou por aqui com o nome Chana, uma piada pronta. Os utilitários tinham certo potencial: baratos de comprar e manter, serviam para prestadores de serviço menos exigentes.

Chana Star

Ao longo dos anos em que atuou no Brasil, a Chana chegou a testar vários produtos, mas nunca ampliou sua operação para automóveis. Em 2011, adotou seu batismo original, Changan (leia aqui). Mas já era tarde demais para mudar a imagem de fragilidade que seus veículos pegaram. Assim, aproveitando-se das piadinhas da época, a Chana acabou “levando ferro” e ficou sem representação em 2016, com o fechamento da representante local Districar (leia aqui).

SsangYong Actyon Sports foi e voltará

BÔNUS – SSANGYONG

A SsangYong quase seguiu o mesmo caminho das marcas acima. A coreana operou por aqui entre 1995 e 98 e 2001 e 2015, com representantes diferentes. No segundo período, o aliado local era o Grupo Districar, que também distribuía os carros da Changan. Ela retorna em 2018 com a Venko Motors (leia aqui), ligada ao Grupo JLJ. Nos dois períodos, a SsangYong emplacou exatos 16.511 veículos no Brasil.

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