Ex-CEO da Renault-Nissan, Carlos Ghosn foge do Japão e recebe asilo no Líbano


A polêmica prisão do brasileiro Carlos Ghosn no Japão (leia aqui), sob acusação de fraude fiscal e uso de dinheiro da Nissan para cobrir gastos pessoais, ganha um capítulo inusitado. Nesse fim de semana, o antigo CEO da Renault-Nissan anunciou estar refugiado no Líbano, afirmando ter fugido da “injustiça do sistema jurídico japonês”. A fuga tem contornos dignos de cinema e envolve um grupo paramilitar fantasiado de banda de música e até um possível uso de passaporte falso.

No comunicado enviado à mídia, Ghosn afirma não ter fugido da justiça, mas sim do sistema judicial japonês, que ele considera “fraudulento”.”Agora estou no Líbano e não vou mais ser refém de um sistema judicial japonês fraudulento em que se presume culpa, a discriminação é galopante e os direitos humanos básicos são negados, em flagrante desrespeito às obrigações legais do Japão sob o direito internacional e tratados a que está deveria defender. Não fugi da justiça – escapei da injustiça e da perseguição política. Agora posso finalmente me comunicar livremente com a mídia e estou ansioso para começar na próxima semana”, diz a nota assinada pelo executivo. A promotoria nipônica possui uma taxa de condenção de 99% dos acusados, dado apontado pelo ex-CEO para reforçar sua tese.

A fuga pegou de surpresa também um de seus advogados. Ao canal de TV NHK, Junichiro Hironaka afirmou que a atitude de Ghosn é “imperdoável”. O defensor, inclusive, ficou incumbido de reter os três passaportes (brasileiro, francês e libanês) do executivo como parte do acordo que permitiu o pagamento de fiança para obtenção de sua liberdade provisória, concedida em abril de 2019 (leia aqui).

Aos 66 anos, Ghosn é acusado de ter declarado ganhos menores que os reais às autoridades japonesas, tendo escondido parte de salários e bonificações pagos pela Nissan. A promotoria também aponta que ele usou recursos da montadora para cobrir custos pessoais, o que inclui seu segundo casamento e viagens de familiares e amigos. As penas poderiam chegar a 15 anos de prisão. O brasileiro insiste ser inocente e alvo de complô por parte de diretores da marca japonesa, que eram contrários à fusão entre Renault e Nissan capitaneada por Ghosn.

FUGA DE CINEMA

De acordo com o canal de televisão MTV, do Líbano, a fuga de Carlos Ghosn foi digna de filme. Ele organizou um jantar de gala no imóvel onde estava em prisão domiciliar, em Tóquio, e contratou uma banda para animar a festa. Ela era, na verdade, um grupo paramilitar disfarçado que ajudou a escondê-lo em uma caixa de transporte dos instrumentos, fazendo com que o executivo deixasse o ambiente sem ser visto.

Dali, Ghosn teria ido até um aeroporto local, partindo para a Turquia. De lá, foi com seu jatinho particular até o Líbano, onde entrou na capital Beirute com um passaporte francês de nome diferente do seu, segundo uma fonte não identificada ouvida pelo canal NHK. O executivo, então, teria se encontrado com o presidente do país, General Michel Aoun, que o teria oferecido asilo. Como o Japão só possui acordo de extradição com Coreia do Sul e Estados Unidos, o brasileiro está “seguro”.

[ Fonte: CNBC, MTV, Reuters, ]

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