Ghosn insiste em inocência e culpa Macron por desconfiança da Nissan


Carlos Ghosn (esq.) e Emmanuel Macron

Depois da fuga digna de cinema do Japão (leia aqui), Carlos Ghosn fez, nessa quarta-feira (8), sua primeira aparição pública. Refugiado em Beirute, capital do Líbano, o executivo concedeu entrevista coletiva durante 2h30min para, como dizia insistentemente, poder dar sua versão sobre as acusações que o levaram à prisão na terra do sol nascente. Novamente, o ex-CEO da Renault-Nissan disse ser alvo de conspiração entre executivos da marca japonesa e a promotoria de Tóquio. Ele afirmou também, segundo o site Autoblog, que o início do desgaste com os asiáticos começou em 2015, com uma ação do agora presidente da França Emmanuel Macron.

Acusado de sonegar rendimentos e desviar recursos da Nissan para custear gastos pessoais, Ghosn voltou a se defender. “Eu sou inocente de todas as acusações. As acusações contra mim são infundadas”, insistiu. Ele disse ter deixado o Japão para poder ter um julgamento justo. “Deixei o Japão porque queria justiça. Eu escapei porque não tinha chance de um julgamento justo”, pontuou, como fez anteriormente ao comunicar sua chegada ao Líbano.

Para o executivo, as alegações contra ele são parte de um complô entre autoridades nipônicas e diretores da Nissan, contrários ao avanço da integração da empresa com a Renault. Nesse momento, sem citar nomes, ele deu a entender que o hoje presidente da França, Emmanuel Macron, foi quem começou a prejudicar sua relação com os japoneses, em 2015. “Isso deixou uma grande mágoa. Não somente com os administradores da Nissan, mas também com o governo do Japão. E foi aí que o problema começou”, apontou Ghosn.

Então ministro da Economia, Macron teria, de surpresa, orquestrado uma jogada corporativa para aumentar o direito de voto do governo francês na Renault. Dessa forma, Paris acabaria também comandando a Nissan, da qual a gigante europeia detém 43,4% das ações. Isso teria abalado a confiança dos japoneses, que temiam ver um de seus orgulhos nacionais sendo comandado por autoridades de outro país.

Ao falar da Renault-Nissan, Ghosn também lamentou os rumores que a aliança tomou após sua prisão. Na época, ele conduzia a dupla a uma fusão com a FCA. “Estava negociando com John-Elkann a união à Fiat Chrysler. A aliança [Renault-Nissan] perdeu o imperdível. Isso é inacreditável e agora eles [FCA] estão com a PSA. Tínhamos um diálogo muito bom, infelizmente fui preso antes de chegarmos a uma conclusão”, disse. Para o executivo, a tendência é que, agora, as duas empresas se separem, como alguns executivos nipônicos queriam. “Não há mais lucro, crescimento, iniciativa estratégica, tecnologia. Não há mais aliança, O que vemos hoje é uma aliança mascarada.”

RESPOSTA JAPONESA

A Nissan não comentou as declarações de Ghosn, assim como Macron, que não foi citado explicitamente. Todavia, o Ministério Público de Tóquio contesta o executivo. “Carlos Ghosn fugiu do Japão agindo de maneira que poderia constituir um crime em si. As declarações dele durante entrevista hoje falharam em justificar seus atos”, diz parte da nota. O órgão reitera que o brasileiro não comprova suas alegações e que tentará encontrar uma maneira de levá-lo de volta para julgamento, embora Japão e Líbano não possuam acordo de extradição.

[ Fonte: Automotive Business, Autoblog ]

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