F1 2020: Análise dos Pilotos


Depois de publicar o o Guia F1 2020 em três partes (leia aqui, aqui e aqui), o ALL THE CARS publica sua análise prévia da iminente temporada da Fórmula 1. Primeiramente, pontuamos onde podem – e devem chegar – cada uma das dez escuderias participantes do Mundial de Construtores (leia aqui). Nesta parte, trazemos o panorama dos 20 pilotos e seus potenciais, além de projetarmos as possibilidades de cada um no campeonato mais “incerto” da história.

Confira abaixo.

44. Lewis Hamilton (ING) / Mercedes
Se você tivesse que uma única ficha para apostar no campeão da Fórmula 1 2020, certamente recomendaríamos que ela fosse aplicada em favor de Lewis Hamilton. O hexacampeão segue como franco favorito a ampliar o domínio, por diversos fatores. Além do currículo e do melhor carro do grid, o britânico tem talento, consegue se adaptar às adversidades do carro e da pista e é um dos melhores já vistos quando se fala em guiar sob chuva forte. O que pode atrapalhá-lo? Um eventual crescimento do companheiro de equipe, alguns duelos contra rivais como Verstappen e Leclerc ou uma improvável sequência de falhas mecânicas. Sua frieza às vezes desaparece: em determinadas situações, pode agir de maneira intempestiva, ainda que essas situações sejam raras. Se não for campeão, ao menos será vice.

77. Valtteri Bottas (FIN) / Mercedes
A mudança de Bottas para a Mercedes apenas evidenciou o que já se suspeitava: o finlandês é um dos talentos da tradicional escola de pilotos de seu país. Tendo Hamilton, um dos melhores da história, como rival e companheiro, ele começa tendo de provar, “dentro de casa”, que está no lugar certo. Em 2019, o vice-campeonato deu moral e confiança para seguir no posto. Contudo, isso certamente não será suficiente para Valtteri: com o melhor carro e a tradicional frieza finlandesa, essa é a oportunidade para que ele crave seu nome na história da F1. A consistência de resultados e a discrição – dificilmente você o verá dando entrevistas polêmicas – contam a favor. Briga tranquilamente por vitórias e talvez o título.

16. Charles Leclerc (MON) / Ferrari
Charles Leclerc é, sem dúvida, um dos grandes talentos de sua geração. Além de saber guiar, o monegasco faz constantes autocríticas, assumindo erros e falhas publicamente, sempre demonstrando condições de melhorar. Para 2020, o principal empecilho para chegar ao título é também sua grande condição: o carro da Ferrari. Fraco na pré-temporada, o monoposto não parece à altura da equipe e dos seus pilotos. O motor também aparenta ser um entrave para que se alcancem melhores resultados. Apesar de todo o talento, Leclerc deve brigar por vitórias, mas o título ainda está distante.

5. Sebastian Vettel (ALE) / Ferrari
Segundo do grid com mais títulos, Sebastian Vettel passou de protagonista a coadjuvante. Após “deixar escapar” o título em 2018, o alemão parece ter entrado em uma espiral de azar e revés. Na Ferrari, foi superado por Leclerc no ano passado e os resultados em pista têm sido bastante aquém de um piloto de sua estirpe. Na pré-temporada, tampouco os números pareceram muito bons, muito embora isso se deva também à baixa qualidade do carro atual. Já com saída confirmada em 2021, tentará dar resultados para garantir um assento no próximo ano, algo que parece improvável. Lutar pelo título é sonho distante, brigar por vitórias é algo possível. Mas, infelizmente, a realidade atual é de beliscar pódios – e comemorar bastante por isso.

33. Max Verstappen (HOL) / Red Bull-Honda
Outro garante talento atual, Verstappen já vai para sua sexta temporada, mas tem apenas 22 anos. O que isso significa? Além de ser um ótimo piloto, o arrojado holandês também goza de uma experiência que outros corredores da sua idade geralmente não tem. Conta a seu favor o fato se ter sido escolhido pela Red Bull para liderar a equipe na volta aos títulos. Na pré-temporada, nota-se que o carro de 2020 é veloz, graças também ao bom trabalho colhido pela Honda ao longo de anos de fracassos, quebras e críticas. No conjunto, a expectativa é que Verstappen chegue mais longe que os rivais da Ferrari, podendo, quem sabe, lutar pelo título.

23. Alexander Albon (TAI) / Red Bull-Honda
Uma das gratas surpresas de 2019, Alexander Albon foi promovido à Red Bull no meio da temporada. As nove corridas não deram tempo suficiente ao tailandês para mostrar suas qualidades, mas a pré-temporada mostrou que sua chegada pode ter sido um grande acerto. De perfil discreto e personalidade tranquila, ele é tratado como um outsider: sem chamar atenção, entrega resultados e tem pilotagem eficiente. Pela menor experiência, fica difícil apostar em vitórias corriqueiras, mas não é impossível imaginar Albon no lugar mais alto do pódio, coroando-o como o primeiro tailandês a conseguir tal façanha.

55. Carlos Sainz Jr. (ESP) / McLaren-Renault
Antigo companheiro de Verstappen na finada Toro Rosso, Carlos Sainz é outro corredor que vem chamando atenção. Depois de passar pela Renault, o espanhol chegou à McLaren e fechou 2019 na sexta posição entre pilotos, à frente de um carro da Red Bull. Na pré-temporada, deu novas mostras de que pode crescer. Não por acaso, a Ferrari já o confirmou para o lugar de Vettel no ano que vem. Até lá, Sainz terá um carro bem acertado: a McLaren vem em franca ascensão e o motor Renault tem dado sinais de melhora. Pela alta competitividade, as vitórias ainda estão distantes, mas há grandes chances de pódio.

4. Lando Norris (ING) / McLaren-Renault
Parece repetitivo falar em jovens talentos, mas a temporada 2020 da Fórmula 1, aparentemente, está recheada deles. Lando Norris é outro: o britânico é uma grande aposta da McLaren, tendo feito uma boa estreia no campeonato do ano passado. Na pré-temporada,  mostrou que tem sido mais frio em determinadas situações, o que pode ser um diferencial na busca por pontos preciosos. Como Sainz, goza de um carro bem desenvolvido, com a crescente evolução da equipe, e com um motor Renault, que, enfim, parece mais confiável. Deve frequentar a zona de pontuação corriqueiramente, podendo beliscar o sonhado pódio.

3. Daniel Ricciardo (AUS) / Renault
Promissor à sua época, Ricciardo acabou não conquistando o título de pilotos que se imaginava. Depois de deixar a Red Bull para se distanciar do papel de coadjuvante, o australiano acertou com a Renault a fim de poder ser protagonista. Contudo, a francesa parece ter regredido no desenvolvimento do carro em 2019, tendo ficado atrás da McLaren no campeonato, quando almejava brigar mais acima. Não por acaso, Ricciardo mudará para o time inglês em 2021. Nesse ano, terá a missão de levar o time francês novamente ao pódio, algo um pouco improvável pelo que se viu nos testes pré-temporada. Mas ocupar a zona de pontuação é algo certo para ele.

27. Esteban Ocon (FRA) / Renault
“Queridinho” da Mercedes, Esteban Ocon voltou à Fórmula 1 após um ano de hiato, causado pela venda da Force India. O jovem é considerado o balizador do equilíbrio buscado pela Renault: promissor, ele forma um time “alinhado” com Ricciardo. Na pré-temporada, mostrou que pode ser veloz, mas sofre com a limitação do carro. O motor aparenta estar melhor que em 2019, mas o monoposto não demonstra acompanhar tal evolução. Provavelmente pontuará com frequência, mas chegar ao pódio, assim como para seu companheiro de equipe, seria obra do acaso.

10. Pierre Gasly (FRA) / AlphaTauri-Honda
Promovido da Toro Rosso à Red Bull e “rebaixado” após apenas 12 provas, Pierre Gasly volta ao time B austríaco para provar seu valor. A rebatizada escuderia, porém, não tem as mesmas condições da principal, especialmente no que diz respeito a valores. Mostrar que sua saída foi um erro, portanto, fica mais difícil. Mas há o que se celebrar: o motor Honda, o mesmo da RBR, tem ganho em desempenho e confiabilidade, restando à engenharia dar conta do monoposto. O francês, por ora, ainda é considerado promissor, tendo que dar resultado para evoluir nesse quesito. O que se pode esperar dele: a parte debaixo da zona de pontuação, com alguma frequência. Mais que isso será, como para os Renault, rara ocasião.

26. Daniil Kvyat (RUS) / AlphaTauri-Honda
O vai-e-vem de Kvyat entre Toro Rosso, Red Bull e Alpha Tauri parece fazer dele um idoso, mas ele tem apenas 26 anos. Ou seja: é novo, mas possui uma boa experiência na F1, tendo inclusive sido corredor de testes da Ferrari nesse meio tempo. O russo era um grande aposta dos austríacos no passado, mas sua sequência de maus resultados fez com que os impacientes diretores da RBR optassem por promover Verstappen para seu lugar. De volta ao circo, Kvyat terá de, primeiro, superar o companheiro de equipe para ressaltar suas qualidades e, depois disso, pensar em voos mais altos. Tal qual Gasly, deve pontuar esporadicamente.

11. Sergio Pérez (MEX) / Racing Point-Mercedes
Se tem um piloto que entrega bons resultados e quase não aparece, ele se chama Sergio Pérez. Já com 30 anos, o mexicano quase nunca é lembrado entre os talentos da categoria, mas soma oito pódios, quatro voltas mais rápidas e um segundo lugar sem nunca ter pilotado um carro de ponta. É até estranho, aliás, que não tenha sido procurado por times de topo para ser um segundo piloto conquistador de pontos. Bom para a Racing Point, que tende a ocupar a faixa de pontuação com frequência por conta de Perez. E, por uma combinação de fatores, não seria impossível imaginá-lo no pódio em ao menos um GP.

18. Lance Stroll (CAN) / Racing Point-Mercedes
“Filho do dono do time”, Lance Stroll sempre foi alvo de críticas por “comprar” sua vaga. Mas é fato que o canadense tem sua dose de qualidade, tendo inclusive um pódio na curta carreira de três temporadas. Aos 21 anos, ele lutará mais uma vez para calar os críticos e entregar resultados à escuderia inglesa. Dentro de casa, terá a companhia – e rivalidade natural – com um dos mais consistentes do grid, Sergio Perez. Por isso, pontuar sempre será importante. Tal qual o colega mexicano, estará entre os 10 com frequência, mas chegar ao pódio será um pouco mais difícil para Stroll.

7. Kimi Räikkönen (FIN) / Alfa Romeo-Ferrari
Prestes a completar 41 anos, Kimi Räikkönen também se tornará o piloto com mais GPs disputados na Fórmula 1 ao término do campeonato atual. Conhecido pela frieza – que, aparentemente, leva para quase todas as atividades em sua vida -, o finlandês novamente se apoiará nisso para buscar os pontos que a Alfa Romeo precisa. Na pré-temporada, o carro atual parece pior que o de 2019, prejudicado também pelo motor Ferrari, que tem comprometido até mesmo a escuderia do cavalinho rampante. Räikkönen deve frequentar a zona de pontuação esporadicamente, distante do pódio.

99. Antonio Giovinazzi (ITA) / Alfa Romeo-Ferrari
Não é que Giovinazzi seja ruim, afinal uma única temporada pode não ser suficiente para avaliar um corredor. Porém, até o momento não se viu um estilo de pilotagem arrojado ou promissor, que seja suficiente para voos mais altos da Alfa Romeo. Por isso, é um tanto incompreensível a insistência da Ferrari em encontrar um lugar para o italiano, que completa 27 anos no fim de 2020. Com um carro aparentemente pior que o de 2019 e motores de pior desempenho, o cenário aponta para um ano “sofrido” para Antonio. Ele deve frequentar a zona de pontuação vez ou outra, mas tende a ser coadjuvante, o que provavelmente deixará livre seu carro para 2021.

8. Romain Grosjean (FRA) / Haas-Ferrari
Quando se fala em Romain Grosjean, imediatamente se lembra de rodadas, batidas e lambanças. É que a história recente do francês de 34 anos conseguiu apagar seus 10 pódios e um segundo lugar na F1. Ele surgiu como um talento a ser lapidado e, como muitos outros corredores, acabou não correspondendo às expectativas. Chama atenção, inclusive, que ainda tenha um carro para correr na categoria. A expectativa é que ele, em 2020, chegue mais entre os últimos do que os primeiros, o que se reflete em poucos pontos somados. Provavelmente, será seu último ano na Fórmula 1.

20. Kevin Magnussen (DIN) / Haas-Ferrari
Aos quase 28 anos, Kevin Magnussen, companheiro de Grosjean, também é mais conhecido por outras ações na pista do que por resultados, sendo frequentemente criticado por outros corredores por fechadas e pilotagem perigosa. Ainda assim, o dinamarquês vai pra sua sexta temporada, após passar por McLaren e Renault. Curiosamente, seu melhor resultado foi na sua estreia: um segundo lugar no GP da Austrália de 2014, após a desqualificação de Daniel Ricciardo, que seria o vencedor da prova. De lá pra cá, não conseguiu mais chegar ao pódio. Teve papel importante na temporada 2018, quando a Haas ficou no quinto lugar entre construtores. Desde então, porém, vem decaindo junto com o time. Deve pontuar poucas vezes naquela que pode ser sua última temporada na F1.

63. George Russell (ING) / Williams-Mercedes
George Russell é mais um da escola de talentos atual do automobilismo, junto de Leclerc, Albon e Norris – todos amigos, aliás. O promissor inglês faz parte das apostas futuras da Mercedes, mas, por ora, está com o pior carro do grid. Isso significa que pontuar será algo raro, diferentemente do que acontece com outros corredores de sua geração. Acredita-se, porém, que uma boa temporada pode acabar convencendo a direção da empresa alemã a colocá-lo para pilotar ao lado de Hamilton no futuro.

6. Nichilas Latifi (CAN) / Williams-Mercedes
Apesar de ter chegado à F1, Latifi nao é dos mais badalados pilotos de sua idade. Aos 25 anos, terá de calar os críticos por uma especulada “compra de vaga”. Como Russell, deve ocupar as últimas posições com frequência, lutando para somar um ponto sequer.

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